quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Cerejeiras

Eu já estou indo. Vou partir, não porque eu cansei de tudo, não porque eu não quero mais, entretanto não aguento mais o reflexo da midríase mostrando as noites sem respostas.

Estou indo. Não ache que vou feliz, não ache que desisti, mas o que posso fazer? Não tenho mais forças para viver nesta ponte que divide o céu e o inferno. Não tenho talento para purgatório, não tenho vocação para banco de espera.

O que doí não é o fato de ir, me machuca o ir sem querer ir, o adeus de dentes cerrados, o aceno de mão fechada, a lágrima que não quer cair. Ficar eu quero, mas ficar para perder o que eu construí seria besteira, ficar pra jogar fora o apelo, o zelo; insistir agora seria jogar fora.

Te mostrar o certo, o errado. A inexperiência machuca o experiente, que não pode errar por você, e tão pouco fazer a escolha certa. Querer dizer o caminho do paraíso, mas você precisa errar para aprender, e isto mais de uma vez.

Minha filha.

Não posso mais assistir isto consentindo a dor. Na rede que me deito só penso em ti, onde estará, fazendo o que?

Mas eu preciso partir, não porque quero, mas porque não aguento mais viver no limbo. Mas eu não vou de verdade, porque quem ama nunca vai. Vou, mas fico, te olho, te guardo e pai que sou, nunca te deixarei quando de joelho caires. Minhas duas mãos terá sempre para te erguer, mas desta vez precisas errar sozinha, e eu não vou assistir.

Um comentário:

Carolina Matos disse...

Tem vezes que é preciso partir... seguir em frente. Na esperança de possíveis reencontros, mesmo que em muitos momentos seja inevitável olhar pra trás.

=****