quarta-feira, 18 de junho de 2008

Amores & Amoras

“Sabes tocar essa música?” Ela perguntou. Ele disse que um dia soube, mas não ia conseguir lembrar naquele momento. Ele realmente quis saber tocar aquela música naquele momento, queria impressionar a moça que o tinha chamado atenção o dia inteiro.

Tanto desencontros como previu o poetinha, mas muitos encontros desejados e forçados para ter a bela visão de quem até hoje mexe com o pobre homem. Até sustos, mas dos sustos gostosos que geram a gargalhada revitalizantes que só quem ama conhece.

Cão e gato à paisana. Quando um perseguia o outro sem ninguém saber e vice versa. Todos querendo tudo, entretanto o destino sempre colocava obstáculos inacreditáveis que eram de se fazer rir de tanta desventura. Quando finalmente ele disse “não sai de casa!”, ele só queria tirar esse eu te amo do peito e dar para quem era seu verdadeiro dono.

Não foi tarde demais. Foi um amor que ultrapassou os limites do real e do imaginário popular. Ninguém entende, nem sabe como funciona, mas eles sabem, ah se sabem.

Ela se mudou. Ele sentiu falta, todavia este não foi o pior. Todo o seu desespera é que toda as vezes que ela retornou a belém, ele nunca se sentia bem, mas também não mal. Ele sabia o que era. Ele sabia que daquela garota moça ele queria tudo que emanava, afinal de contas, ela era ele no sexo oposto.Ele não filosofou ao dar um mundo em uma caixa, ele realmente estava disposto.

Ele sofreu amargamente nos dias de sua tristeza, nas desilusões amorosas, morreu de ciúmes ao saber de seus casos. Praia, prédios, colégios, festas, músicas e tudo o que tiveram direito. Pode até ser que não, mas ele sabe que no final tudo sempre dá certo, e está dando certo, não mudaria nada.

Hoje é dia. Ser feliz, estar feliz, amizade acima de céu e terra e todos os problemas.

terça-feira, 17 de junho de 2008

Para Mim Chega

Ai que saudade, que vontade de tê-la comigo mais uma vez, desta vez não mais errar e enfim ficar com ela para todo sempre.

Quando ela chega, naquele momento único, o grande silêncio que precede o escancarar das portas. O batucar dos dedos na mesa, as pernas ainda inquietas...sob a mesa. Isto tudo somente esperando-a chegar, o que não sei quando nem onde há de acontecer. Ela chega para mim.

- Sinto sua falta! Não sinto da intimidade, sinto falta do sentir . Não te quero! - mentira – Quero poder sentir aquilo de novo, ao menos de forma platônica. Só para ter minha inspiração de volta, meu sorriso ao acordar, meu bom humor nas manhãs de domingo, minhas ressacas com menos enxaqueca.

Confesso que desta vez sou interesseiro. Não quero-te de volta para nada mais do que meu pobre bem estar, nem quero tanto assim, só preciso saber que existes em mim em algum lugar. Só para me dar o prazer de viver contigo novamente, mesmo que tão superficialmente.

Sei que fiz tanto mal a ti. Sei que te usei como desculpa para meus caprichos, e disse em teu nome certas coisas que só fizeram te difamar. Sei que tudo há de voltar, talvez não agora, mas você nunca vai deixar passar assim estes mal tratos, não pela maldade deles em si, talvez pela falta de cordialidade.

Entretanto nunca quis te afastar. Nunca quis ficar sem ti, nunca pensei em ter que correr até você, suplicar nos meus sonhos te ter de volta. Paixão, volta! Quero te ter de novo, ó sentimento bendito que me faz falta, preciso de mais de você, preciso sentir você de novo quando sei que você chega para mim.

sexta-feira, 13 de junho de 2008

Treze Dias Ao Chão

Dia treze. Sexta feira. Noite de terror? Não sei. Eu gosto das sextas feiras, se são treze ou não é apenas um detalhe numérico. Esta sexta feira em especial tem um certo charme por ser uma sexta feira treze de junho, ou seja, um dia após o dia dos namorados.

Os casais após o dia doze andam todos sorridentes como se uma troca de presentes, meia duzia de palavras e uma noite de libído e carne irá mudar todo um namoro. Talvez, mas esta probabilidade é mínima. Nem todos os mais maravilhosos orgasmos, os presentes mais caros mudará algo destinado ao fim. Em contra partida quantos namoros bem secedidos, após um dia dos namorados tiveram seu fim no dia treze seguinte e não na temida sexta feira treze, e sim, apenas no dia seguinte.

Sempre os namorados procuram ser mais atenciosos neste dia - sei porque já passei alguns dia doas namorados acompanhado - mas o engraçado que nos outros trezentos e alguns dias do ano, o namoro é mundano, comodista, onde o amor nem a paixão já existem. E somente neste dia há uma preocupação exarcebada de fazer seu parceiro feliz.

À parte estes imbróglios de quem namora, nos deparamos com a depressão momentânea de quem está solteiro. E toda a pressao da sociedade em cima daqueles que não querem ou não estão namorando. Todas as pessoas felizes, os comerciais, as lojas, uma felicidade até certo ponto deprimente, quase que expugnando aqueles que vivem à um, como se fosse um grande problema ser solteiro - é problema apenas no dia dos namorados, o resto do ano todos desejam solteirice e a esbórnia que isto lhe rende.

Penso nas pessoas que esperaram até o dia doze para pedir alguém em namoro, realmente romântico e corajoso, pois data mais tendenciosa não há, é preciso de muita coragem para fazer o pedido ao dia doze do mês seis.

Passou. Dia treze do mês seis. Os namoros voltam ao normal, alguns tiveram seu fim outros seu começo, mas era apenas um dia normal, mais um dia de um mês como muitos que ainda hão de chegar. Treze dias a menos de um mês, treze dias a menos no ano, treze dias a menos na sua vida, treze dias ao chão que você já passou deixando-os no passado.

terça-feira, 10 de junho de 2008

Lígia

Prefaciando o tudo mais
Um sorriso que não foi nosso
Que logo foi posto de lado
Por um olhar de verdade, olhos reais

Sem pretensão
Amizade desligada da realidade
Amor de verdade ao inevitável
Verdadeira compulsão

Fez de um breve início
Um marco em vida
Como a chuva no verão
No nosso tão raro solstício

Fez de um simples minúsculo
O mais imponente maiúsculo

quinta-feira, 5 de junho de 2008

Central

Aos sete meses de viagens, descobertas, entregações, choros e risos na companhia de um grande amigo. Valeu Niva, por todos os conselhos, amizade e viagens alucinantes.

- Deus foi muito injusto! - ele disse - Ele deveria ter nos dado duas vidas. Uma para ensaiar e outra para realmente entrar em cena.

- Mas a vida é teatro. - retruca o amigo - Não temos como voltar atrás depois que entramos em cena. A vida é um eterno improviso de ações e reações, para uma pláteia de um único espectador que é o nosso próprio criador.

Não vivemos em uma bela paisagem, com efeitos de câmera, cromaquis gerando nossos maiores sonhos as nossas costas. Não vivemos cinema. Não temos um diretor para dizer o que vamos dizer, com que cara vamos entrar em cena, e se der errado pede para voltarmos e refazer nossos passos.

A vida se resume a um plano - palco - e ali temos que fazer e acontecer, a arte da vida é viver cada momento sem saber o próximo, ter tudo planejado, mas se der errado saber improvisar do melhor jeito.

Comédia e tragédia. É sobre estas leis que vivemos. Amor é a sua junção, a comédia como a representante da felicidade, tragédia é o seu fim ou tudo que envolve o seu começo.

Só uma chance para acertar tudo. Ao entrar em cena é tudo com você, e assim como a vida, sempre há os problemas de percurso por mais bem planejado que tudo tenha sido. A vida meu amigo, é teatro.

sábado, 31 de maio de 2008

Trigésima Chuva

A claridade das palavras, nunca irá subjugar as sombras do medo. Não importa o que seja dito, o que seja feito, o medo tende a existir. Sem coragem, sem convicção no que queres, sem fazer as coisas acreditando que aquilo lhe fará feliz, não adiantarão palavras, atos.

O medo é lugar comum a todos. O tamanho do medo não é proporcional ao obstáculo e sim a sua vontade de vencé-lo.

A alegria, na forma de realização pessoal, não depende da queda do obstáculo e sim do quanto você sabe que tentou. Do quanto você fez aquilo valer a pena, mesmo sentido dor. Palavras, atitudes, sem vontade de querer vencer, nada mais são que tentativas ao acaso. É esperar que seu medo vá embora, porque achas que estás vendo o que precisa.

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Trinta dias. Já fazem trinta dias que a mesma intensa chuva cai sobre nós. Tudo está tão úmido, molhado, impregnado de um sentimento de descaso. A tristeza que nos abalou nos primeiros dez dias de chuva agora se acomodou. Em repentinos devaneios, imagino que não saberia mais viver sem esta chuva, ela já faz parte de um cotidiano que me faz refém dentro de minha própria casa.

No reflexo da janela, meus olhos acompanham a água que corre na calçada, que leva lixo correnteza abaixo, que leva minha esperança de voltar a ver o Sol. Muitos dias já se passaram desde que começei a passar minhas tardes sentado à janela, olhando as gotas caírem, na expectativa de por trás daquelas densas nuvens cinzas, nascer um raio de Sol, e por mais clichê que possa parecer, voltar a escutar os passarinhos que tanto odiei que cantessem na minha janela, me acordando assim todas as manhãs.

Trinta dias sem claridade. Trinta dias de pura solidão doméstica.

Tenho tudo o que preciso aqui dentro, mas mesmo assim, não é o suficiente. Lembro-me do último dia de Sol, quando voltava para casa feliz, com todas as compras que precisaria durante um mês, parecia que advinhava a tormenta que se aproximava no horizonte não mais tão distante.

Nunca mais saí. Não tenho coragem, as coisas que tenho aqui comigo são no momento tudo o que importa, não quero mais nada. Na verdade melhor agora do que quando havia Sol, quando eu tinha de sair de casa e encarar tudo o que desgosto com um sorriso estampado desbotado, com ar de falsa realização.

Alguém chegou. Não vejo ninguém nas ruas fazem, brincando, uns quinze dias. Nem animais, nem carros, uma quinzena de vida para a cidade fantasma dos ilhados. Porque agora surge alguém à minha porta? Logo na minha. Pode ser alguém precisando de ajuda, porque eu tenho tudo o que preciso e nem pedi socorro. Não queria sair da minha janela, gosto da minha visão da enxurrada levando tudo consigo sem piedade. Quem será?

Deve estar apressada ou com muito medo, pois não para de bater. Não sei onde estão as chaves, são trinta dias que não abro a porta. Porque ela não se acalma, já estou chegando.

Porquê?

Porque, estaria em frente a minha casa uma mulher, com um belo sorriso, como se fosse o dia mais bonito do ano, com um guarda chuva aberto para ela e oferecendo outro guarda chuva ainda fechado para mim.

sexta-feira, 23 de maio de 2008

Pá De Palitos

Ontem lembrei-me da brincadeira dos palitos de dentes que formam uma pá de lixo onde o objetivo é mover apenas dois palitos e mudar a pá de posição. Eu ainda lembro como faz para mudar a pá de posição, nunca esqueci o truque.

Ao prestar atenção neste jogo, percebi que há mais coisas nisto do que uma brincadeira. Certos momentos da sua vida, certos relacionamentos, problemas ou qualquer coisa mais que você viva ou já viveu pode ser relacionado com o jogo da pá.

Você pode demorar para perceber o quanto o problema é simples, mas depois que descobre, sempre será resolvido do mesmo jeito. Entretanto o grande problema disto, é que por mais que você mude algo de lugar ele nunca vai deixar de ser o que é. Uma pá de lixo será sempre uma pá; um problema será sempre um problema até que ele esteja resolvido, mudá-lo de lugar não irá ajudar em nada.