terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

As novas Garotas de Ipanema

Elas continuam a "coisa mais linda, mais cheia de graça..." só que não acredito mais que elas venham à caminho do mar. E a imagem delas com biquíni na praia ou indo a escola de saia de pregas também não me convence mais.

Não quero insinuar meninas indo à "balada", nem algo neo, eletro, new, urbano. Apenas comentar a real mudança nas mulheres. Onde as garotas de Ipanema eram charmosas, verdadeiros ícones da sensualidade da garota-mulher, da revolução feminina. Exuberantes em uma beleza crua, sem toda a parafernalha que hoje são o braço direito das moças. Tênis, calças de marca, roupas sempre novas, gosto musical alternativo, maquiagem delicadamente escolhida. Antes era apenas a mulher que caminhava à beira de um bar, sentava junto aos homens para discutir cultura ou até ser capaz de seduzir duas das grandes almas poéticas deste país sem nem dizer nada. Hoje não existe mais esta sedução instantânea, até que elas se fazem apaixonar, mas não apenas com o seu passar. Hoje há muita insinuação, pouca autenticidade, e muita vontade de querer ser interessante.

A bossa de antes eram os seres poéticos que enriqueciam nosso ouvidos com as melhores crônicas, poesias e composições. Hoje de todas as qualidade, a melhor, é o respeito destas novas garotas pelo o que passou e a sua necessidade de saudar o passado como algo que foi de melhor. Às vezes não tão sinceras estas admirações, sendo mais pelo peso de seus nomes do que realmente pelo saber de suas obras.

Elas continuam lindas, agora de all star nos pés, aparelho nos dentes e vestido coloridos. Escutando Interpol e Velvet Underground. Sendo confusamente charmosas e cativantes mesmo em uma geração tão blasé. E ainda inspirando aqueles que as olham passar, talvez não à beira de um bar, mas sim à beira de uma casa de show.

Mas espero que as novas garotas de Ipanema, não terminem igual a original, sendo apenas mais uma convidada no casamento de seus admiradores iniciais.

Às novas Helô Ponheiro. Que sua beleza inovadora e intrigante ainda façam milhões de vítimas, assim como eu que um dia estava ali sentado a beira do bar olhando minha garota passar e quando deparei-me, cá estava eu, proferindo palavras de carinho à mulher que eu vi passar e que "se ela soubesse, que quando ela passa.." o meu coração se faz em infinitos pedaços, para assim eu poder entregar a cada dia um destes à ela.

Um comentário:

Luna disse...

cadê teu livro? tens que começar logo a juntar os pedaços pra ele ser publicado no máximo em 4 anos hahahah
beijos.