segunda-feira, 20 de setembro de 2010

O Ar Que Inspiro

Você é a minha desilusão,
Aquela que eu criei quando você,
Surgiu, chegou, beijou, e pra quê?
Para partir comigo ao chão.

Me abracei a você para criar
Um mundo novo de amores,
Poderia quem quer que fosse amar,
E usar o amor para escrever dores.

Nesta desilusão forçada,
Sofro para ser feliz,
Ter a alegre tristeza de trocar de amada.

Mas na verdade, queria te deixar,
Voltar a ser aprendiz,
E não ter vontade de mais nada matar.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Retrato

Queria ter a crença no amanhã.
A esperança do novo dia salvador.
Do nascer repleto de luzes e flores,
E do ontem, apenas o escarro.

Acreditar no Sol trazendo o fim da tormenta,
Na foto escondida o fim do amor,
Quando todo dia me controlo para não te achar,
Sabendo que sempre chove no fim dos amores.

Queria acreditar nos lençóis arrumados,
Mas todo dia sei que os bagunço,
Para acreditar que você voltou.

Queria não acreditar nesse amor,
Que só me deixa sentado,
Nem machuca nem faz feliz.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Barcas Saudades/Anônimas

Na separação o acordo foi:
De um lado o Sol
Do outro lado a Lua
E no meio a centopéia de conluio.

Ao fim do dia,
As montanhas protegem o Sol
As luzes da cidade a Lua
Ficam as estrelas em solidão que angustia.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Declaro-me Seu

A mortalidade das mulheres, a sua fragilidade real que é a morte, fica à mostra quando seus corpos nus se apresentam. Por isso desejo tanto te amar agora, quero viver o maior dos amores hoje, não vais estar sempre aqui, então eu quero te amar tanto no agora. Não quero te amar tão rápido, só não vou ceder um segundo sequer ao ócio amoroso, ao comodismo, quero ter-te agora com todo o amor do meu peito e a cada dia que chegar, amanhã, depois e depois, vou te amar como o hoje. Por mais juras que façamos, você não vai estar a vida toda comigo, pois ambos sabemos de nossa frágil existência, e a vida toda mortal não é o suficiente para o nosso amor, então não percamos tempo, vamos nos amar com tudo a partir de agora.

domingo, 1 de agosto de 2010

Aryela

Consigo esquadrinhar cada traço,
O vestido branco, o sorriso, o abraço,
Em uma estrada abandonada,
Você era minha completa amada.

Três vezes você entrou e saiu,
Do mesmo e de outros sonhos.
Seus braços ao meu pescoço,
Sua cintura em minhas mãos.

Já perco a forma, o estilo, a métrica,
E caindo em uma apnéia de paixão,
Procuro apenas entender o porquê,
Seu nome teima em rimar com bela.

Frio na barriga em sonho,
Das sensações nunca senti um abraço onírico,
Um rubor por um dormente amor.

Acordar foi o fim.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Sol Hârmonico Amarelo

No despertar, a visão não era turva, os olhos claramente enxergavam o que desejavam. O amor era puro, os sentimentos diretos sem desvios, o coração foi doado na íntegra.

"Eu te amo.."
[...]
"É sério mesmo...?"
"É....   "

Mas o amor nem sempre salva todas as relações, mesmo porque o excesso de amor pode ser o causador da distância entre o amado e amante. Um fim transforma todo mundo. O amor, a pureza, o excesso, se torna frieza, a armadura daqueles que já sofreram por amor. O medo de doar, de ser alguém que vai sofrer...novamente. Sem saber que a dor do amor nunca cessa, apenas apazigua. 

Um pedido ao entardecer:

"Sabe tocar esta música?"

Mesmo sem saber tocar a música, a partir daquele momento e nos anos que se seguiram, foram expostos sentimentos, confissões, lágrimas, músicas, esquinas, conversas, poemas e um amor que nunca se formou como um dia sonhado. Não há dor ou sofrimento, há um amor tão verdadeiro que até uma distância física e pontual jamais mudará a torcida por uma felicidade maior.

"Você é minha primeira mulher...de verdade..."

Naquela noite com você eu aprendi o que é um relacionamento. Neste pouco mais de um ano nós fomos um sonho vivo de uma felicidade única e poucos me decifram hoje como você, sabem identificar na menor entonação a felicidade ou o desprezo. Do grande amor real para uma amizade que sobrevive com respeito e uma verdade que poucos ex's possuem. Saí da ilusão de um amor de menino, para com você crescer. Com você o amor voltou na realidade, a frieza foi embora, o peito se abriu e se hoje ainda me mantenho assim aprendi com você.

No meio de tantos outros amores, amei a Lua. A minha Lua de todas as madrugadas, de inspiração diária, da felicidade gratuita, que eu sabia que não era apenas mais um amor das esquinas. Eu estava indo além novamente. A dor de não conseguir ser seu agora não mais teve como resposta a frieza, a compreensão que tudo são escolhas entre duas pessoas, fizeram a tristeza do amor ser entendida como longe de ser a última e não tão dolorosa quanto a primeira.

Após o amanhecer, a tarde, a noite e a madrugada, nasce outro dia. E neste novo amanhecer, entre cores lisérgicas, você surge.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Devaneios Urbanos

Entendo que cada vez mais, com efeito, a distância entre o que somos e o que um dia pretendíamos ser é maior, então vejo que o egoísmo chega a ser uma questão de amor próprio. E acabo em conclusão fatídica, que se há diferença entre a situação do amante para o amado, amar mais o sentimento que o objeto é apenas uma questão de perspectiva.

Eu gosto de me declarar, de viver um amor eterno. Ainda que os personagens mudem, o amor é estático. Gosto de me declarar, gosta de dar amor, de fazer a pessoa se sentir amada e sem brincar com os seus sentimentos, pois com efeito, digo a verdade, gosto de elogiar e todas as belezas merecem ser amadas, egos precisam de massageados e é fato, que todos têm belezas a serem elogiadas.

Quando os amores acabam, as paixões cessam, o amor não vira ódio, nem raiva, porque é impossível esta mutação de amor em ódio, o que acontece é o desamor e enquanto o amor não vira desamor, as paixões podem ser reconstruídas, vividas.

No momento em que não temos o amor da nossa vida, ele é paixão incessante, luz intermitente, vontade de ser feliz, é objeto razão e justificativa da tristeza e suposta resposta para uma vida melhor. Não existem falhas, contudo, ao ato da conquista se segue a humanização do ser perfeito e amado, defeitos, erros, desencontros. Os amores por maiores, salvadores e eternos, sempre serão amores terrestres, humanos e defeituosos.