quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Seqüência 1.1

Mesmo em sua busca incansável, existem horas que é necessário repousar ao menos a mente. Mais de cinco horas em busca de algo, no momento intangível, ele decidiu por fim sentar e relaxar, ler a sua revista, fumar seu cigarro, levar seus pensamentos para outro lugar que não aquela esquina e aquela bendita amada.

Perdido em devaneios, em sua maioria, ligados a revista que lia em concentração budista, mal reparava que o mundo lá fora não parou, as pessoas caminhavam, falavam, crianças choravam, carros buzinavm e poluíam. E dentro desde pandemônio, como que oposta pelo vértice da busca, pairava ao seu lado uma moça, em busca de algo dentro de sua mochila. Como o coelho da Alice, tinha muita pressa em achar aquilo que não sabia onde está. Ao que parecia, deveria ser um isqueiro, pois mantinha um cigarro em riste na sua boca. Mexia, remexia, fazia barulho, tirava coisas da bolsa, e quando ele percebeu ela já estava sentada no seu banco, colocando várias coisas no assento e continuando com o barulho.

Não agüentava mais, não conseguia mais ler, tão pouco fumar seu cigarro com tanta agitação ao seu lado, no seu banco, o banco de sua busca. De supetão pegou o seu próprio isqueiro, nem olhou, sequer, nos olhos da moça. Estendeu seu braço com o isqueiro aceso em direção a moça, que se assustou, pois ironicamente não tinha percebido a prensença do rapaz naquele banco. Acendeu seu cigarro, agradeceu-lhe e foi embora, caminhando com a mesma pressa que tinha aterrizado.

Ele sentiu-se aliviado em finalmente ter dado fim ao barulho que tanto o incomodou. Apenas de soslaio viu a moça caminhando, já distante, com seus belos cabelos voando lentamente, com seu caminhar altivo e apressado, fazendo o tempo parar. 'Será?', ele se perguntou. 'Não pode ser!', ele brigou consigo mesmo. Nem sequer olhou seu rosto. Levantou-se com a mesma pressa peculiar à moça e saiu andando rápido em sua direção, já estava muito longe, e todas aquelas pessoas na rua o atrapalhavam. Quase morre ao atravessar uma rua sem olhar o semáforo, e nesta hora com o motorista o xingando foi quando a perdeu. 'E agora?', ele pensou. Precisava voltar e pensar com calma onde encontrá-la novamente, e esquecer que ela esteve ao seu lado e ele nem a olhou para ter certeza, ficou com tanta raiva de si mesmo, nunca deveria ter parado para descançar.

Um comentário:

Carolina Matos disse...

Adorei :D

Que bom que a inspiração voltou.

=*