quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Seqüência 01

Criado por Carol, a quem devo muitas idéias e grande contribuição na busca do amor irreal da perfeição que este conto (s) busca. Obrigado por todas as idéias, discussões e o prazer de escrever esta história com você, mesmo na sobriedade dos dias de semana.


"Eu vou me atrasar de novo". Pensou ela enquanto esperava o sinal abrir, a perna inquieta indicava a ansiedade pra que aquele sinal abrisse logo. O sinal abriu, ela andou, com seu passo sempre apertado, rápido: "Preciso de um cigarro". Ela então, colocou a mochila pra frente, esta ficando pendurada a ela por uma única alça. Ainda andando rápido, a mão foi certeira na bolsa da frente de onde ela tira o cigarro, com agilidade, o que demonstrava que aquele era um movimento constante na rotina dela.

Cigarro na boca, a mão voltou pra dentro da mochila, mas não saiu com a mesma rapidez da primeira ação, ela ficara mais impaciente, aquilo a forçou a diminuir o passo e olhar para a mochila, mesmo assim não obteve sucesso. Então parou na esquina, e colocou a mochila sobre um banco, para procurar melhor. A pressa era tanta, que ela não se atentou para o rapaz sentado na outra ponta do banco, e com razão, ele estava lá imóvel, e de tão imóvel e silencioso ele parecia fazer parte da paisagem.

Em movimento brusco, ele tirou um isqueiro do bolso, e o acendeu, mantendo o braço esticado em direção a moça, sem tirar os olhos do livro, numa atitude que deu a ela a impressão de que ele estava incomodado com ela e com os eventuais barulhos que ela produzira. Ela se espantou, mas rapidamente inclinou o corpo em direção ao fogo. Acendeu o cigarro, e ficou olhando para aquele homem, enquanto recolocava a mochila nas costas. Com as mãos livres, ela tirou o cigarro da boca, e soltou um seco e desconfiado: “Valeu!”. E seguiu apressada, perdera tempo demais.

Ela já estava distante do banco, quando ele pareceu finalmente ter se apercebido dela, não só da presença física, mas do que ela poderia significar. Ele dificilmente tinha companhia naquele banco, naquela esquina, a sua esquina, e ela não só surgiu como realmente falou com ele. E em meio a esses devaneios, ele fechou o livro com força, colocou embaixo do braço, e saiu andando procurando a tal moça. Será que ela ainda estava por ali? Não, ela tinha pressa... foi então que ele reconheceu a mochila e o andar rápido dela, mas já estava longe, ele precisava se apressar.

Com o cigarro na boca, ele correu para tentar pegar o sinal verde da faixa de pedestres. Fixou os olhos nela, e não viu quando o sinal fechou, ele acabara de tragar o seu cigarro, e o tinha na mão, quando um carro veio em sua direção, o barulho da leve freada o assustou: “Tá maluco!” – Disse o motorista irritado! Ele nem lhe deu atenção, virou rapidamente a cabeça pra tentar ver a moça, tarde demais, ele a tinha perdido.

Um comentário:

Carolina Matos disse...

Eu que tenho que agradecer pelo convite. Pelas idéias, pelo prazer de construir esses personagens... conversas inspiradoras... e todo resto... Discussões felizes na sobriedade da semana.

=*