terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Banhos e Banquetes

Amarraram os pés dos meus pensamentos no tronco daquela misteriosa árvore. 

Quando acordei com os pés presos, eles já não tinham amarras, e meus pensamentos já haviam subido ao galho mais alto.

Minhas mãos já conheciam o caminho. Dois oceanos em seu rosto, duas montanhas em seu colo, constelações e flores no abdômen até o desaguar no seu ventre.

Decidi então mapear com minhas mãos e agora de olhos fechados sinto seu cheiro e perfeitamente descrevo seu corpo.

Decidi que iria me entorpecer de você. Enebriar até os poros entupirem. Até sentir minhas mãos grossas e meus pés dormentes.

Me afogar em você.

domingo, 4 de dezembro de 2011

Simplesmente Amor

Eu achei o amor que estava perdido em mim. O amor que não tem subclassificação, foi amor, de verão, de natal, de sonhos. Cada memória, lembrança e cheiro que você deixou, serão em mim marcas da nova pessoa que eu me tornei.

Pela primeira vez em dias pensei em mim. Havia esquecido de mim, do mundo lá fora. Havia perdido o contato com o chão. Deixei de ser individual, rompi com as barreiras do meu eu. Me uni cegamente ao amor, como só os amores que valem a pena conseguem fazer. Deixei de me ver, perdi meu nome e minha carne, e me transformei, naqueles dias, em algo maior que eu.

Quando estive com você tudo o que existia era a necessidade de mais. Dias, beijos, palavras, abraços. Quando estive com você, me senti pleno. Você apaziguou a minha vontade, cessou a dor de existir. Com você escrevi a receita mais simples de amor.

Sonho e como. Sonhos. Queijo. Pão. Mortadela. Morango. Leite. Alpino. Ovomaltine. Bis. Franguinho. Cebola. Bis. Suco. Uva. Coca. Pepsi. Guarana. Pão na chapa. Nescau. Leite fermetado. Supermercado. Padaria. Praia. Posto 9. Copacabana. Colombo. Ciúmes. Beijinhos. Nariz. PUC. Jardim Botânico. Cural. Pizza. Salagados. Lasanha. Bis. Universo. UP. Parallelo. Coberta. Cantinho. Banheiro. Sala. Cozinha. Morro. Armas. Fumo. Seda. Piercing. Desenhos. Corpo. Sabe o que eu quero? Suor. Beijos. Amor. Respeito. Doidices. Conversa. Risadas. Bom Dia. Novela. Sobremesa. Haagen Dazs. Milk Shake. Antiguidade. Bis. Copacabana. Leopoldo Miguez. 40. 307. Rio de Janeiro. Belém. Campinas. Mundo. Vício. Namoro. Um mês. Verdade. Saudade. Filmes. Sofá. Número Um. Sem Picles. Meu. Seu. Nosso.

E agora tudo o que sei é que é na Bahia de todos os santos, que eu pretendo me perder em você novamente.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Cantinho

Na primeira noite,
Apenas me deitei.
Mas já na primeira manhã,
Fui e te beijei.

Os amantes cresceram.
E nos dias que seguiram,
Algo vinha de mim,
Para dentro de você.

Sob uma camada xadrez,
Entre sonhos e realidades,
Nos despíamos da pouca sensatez.

E quando em nossos planos,
O mundo gritou verdades,
A saída foi nosso universo paralelo.

domingo, 13 de novembro de 2011

Antes um Beijo (à um Abraço)

Naquele amanhecer, quando nossos dedos se entrelaçaram pela primeira vez, entre grãos de areia e um constante desviar de olhos, eu sequer cogitei te fazer minha mulher, sequer pensei que você ficaria comigo, e mesmo confuso, não esperei nem um beijo. E ainda arrisco dizer que não espero.

Ao te abraçar como uma concha, sentado com você sentada entre pernas, enquanto eu sentia como se meus braços te envolvessem em proteção, dei pra pra pensar que não queria te ter em favor da carne, minha necessidade não era de orgia.

O tempo levou anos, alguns amores e deixou insônia até a cama se tornar uma imensidão, onde a individualidade se misturou aos panos e lençóis que nestes anos abrigaram o meu coração.

Naquela manhã, naquele Sol de um novo dia, eu segurei você em meus braços e percebi que não queria te possuir, queria apenas dividir os momentos com você, fiquei pensando: seria você - pois há méritos em ti - ou seria um efeito retardado da solidão. Eu passei os dias seguintes apenas querendo segurar sua mãos, te laçar nos meus braços, te olhar dormir, ter sua cabeça no meu peito, seu perfume no meu travesseiro, enviar beijos pelo ar e acabar com os olhares furtivos. Desejaria te olhar e compreender antes do primeiro piscar de olhos.

Sentir a minha cama toda ocupada, sentir os dedos dados, a respiração no pescoço. Sentir que o coração de novo pulsa acompanhado. Não sei se você é objeto deste amor, mas foi você que me mostrou o que eu tanto senti falta. Mãos dadas, abraços, um noite de sono em conjunto, acima de tudo dividir os momentos com conversas bobas com risadas sinceras.

Com você eu lembrei que o amor não tem que ser complicado.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Des-sofrer

Virar o rosto, o sono que consome após o ato, a falta de respeito pelo sentimento alheio, o não amor, o grito do fisiológico, a falta de sentimentos, o não ligar, sem falta, sem vontade, sem altos, sem baixos, sem emoções, sem alegria e sem dor. A falta de saudades, não ter saudades, uma solidão assimilada como aquele velho sentimento da solidão da multidão, do soluço escondido, do grito no travesseiro, um grito solitário, calado pela solidão, nem bem nem mal, com o peso e a dor de apenas...viver. 

Ao invés de apenas viver prefiro sofrer por amor...o problema é o amor, necessito de uma decepção, um par de borboletas no estômago, uma distância, uma dúzia de nós na garganta, quem sabe três olhadas ao chão, um pigarro, um suor nas mãos, um rodeio, uma lágrima, um sorriso, um começo e um final. Nada como sofrer por amor.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Acabou de Chover?

Quando se é criança não há nada pior do que um dia chuvoso, não os dias chuvosos onde a chuva cai na rua e os barcos de garrafas de coca cola 2L tomam conta deste oceano, tão pouco a chuva que faz todo mundo querer 'jogar bola' só pelo prazer de poder dar carrinho sem se machucar, ser goleiro e fazer certas acrobacias, essa chuva era inspiradora, tomava-se banho de chuva.

Entretanto existia o dia chuvoso, onde a chuva não caia, não molhava, mas não deixava ninguém sair de casa, um dia feio, sem graça, sem diversão. E não importava, vídeo game, amigos, biscoito passa tempo, pupunha, bonecos, a vida acabava nestes dias, crianças consumidas pelo tédio, arrasadas no sofá do quarto, perturbando a mãe que dava graças a deus não precisar sair de casa.

Lembrei de quando o meu maior problema eram os sábados de pingos lentos, pois hoje eu fiquei em casa.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Cartas

Lembro de um mundo onde o "eu te amo", só vinha após uma série de "eu te adoro". De quando as pessoas se escreviam cartas mensais, com dobraduras especiais, com letras de música para ilustrar cara parágrafo. Lembro eu mesmo de dizer vários eu te adoro, até ter tantos que viraram amor, e já se podia dizer enfim, com medo, com receio....eu te amo. E nas conversas do corredores no colegial corria o assunto, fulano disse que amava ciclana..sério? Ele disse, eu...te...amo?!

Hoje em dia eu não sei se o eu te amo é o mesmo de outrora. Vai, eu também como todo mundo já banalizei algo que nos meus 17 anos era muito sério. Quisera eu que o mundo mesmo estivesse se amando mais, verdadeiramente se declarando, age of love, mas só vim a perceber que aquele romantismo bobo que só nos fazia dizer EU TE AMO, quando fosse realmente isso que o coração gritava, findou.

Amando tanta gente, tantas pessoas, já me confundo sem saber quem eu amo, quem respeito, quem considero, quem é amigo, quem tem o meu amor e quem tem apenas meu carinho. Também não sei se existe diferença entre tudo isto que digo.

Mas caminhando na Nsa. Sra. de Copacabana quando chovia no Rio pensei: nunca mais escrevi carta para ninguém. Subitamente lembrei que todas as cartas que escrevi na vida foram para pessoas que eu realmente amei.

Não escrevi mais cartas, mas continuei amando pessoas. Fazendo dos amores, poemas.