quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Somente

Queria comer nuvens, com gostosos granulados indianos. Apertar aquele. Mas como roupas, por ora, a paixão fica no cabideiro, sexo daqui pra cá e para lá, paixão e sentimentalismos anacrônicos.

Quero morder teu joelho e te fazer rir até chorar. Desbravar o relevo do teu corpo com minhas mãos bandeirantes.

Pretendo lhe deixar ir. Ser livre, escolher, e confesso que torço para não ser eu a sua escolha. Preciso caminhar só, com variantes companhias, de certo apenas, para não me sobrar esquizonfrenia. 

Mas eu já respondi. O medo de amar é quem faz entrar no silêncio....

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

E Pra Quê?

No auge de nossa felicidade nos gostávamos de ovos mexidos, um pouco do pimenta, ver novela, roxo, escutar rock e beber cerveja. Ai um dia o meu céu ficou azul e o dela verde, eu queria MPB e ela pop, ela escutava singles, eu só álbuns, aprendi a beber uísque e ela só queria prosecco.

Lembro que dormir de conchinha era sonho, e na realidade era calorenta e cheia de cabelos na boca, os anjos tinha sexos, as cercas não eram mais brancas, os filhos já não eram nem sonhos distantes, a coca era zero, o big mac vinha sem picles, os botequins eram imundos, os amigos uns pervertidos

O amigo vira colega, o companheiro torce para ser estranho.

E no final o amor vira educação.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Resonar

Te chamaria de graúna, pelos olhos e cabelos negros, te puxaria, nos abraços, nos calos. Te pegaria assim, miúda, entre minhas mãos, tiraria o anel, desmancharia sua trança, beijaria teus olhos.

Deixaria sua toalha molhada na minha cama, esqueceria do controle remoto, te deixaria escolher nossa canção. Acreditaria, fiquei calado, beijarei.

Aceite-me nos sonhos que a realidade já me cansou.

sábado, 6 de agosto de 2011

Repeteco

Naquela noite quando entrei na sala
Eu sabia que dali iria encontrar você,
Dançando, rodando aquela mesma saia,
Que sempre me fez saber o porque.

Nos sonos sem sonhos, nos jantares fatigados eu encontrei você, em outro rosto, em outro nome, cabelo, olhos, boca, jeito, mas de alguma maneira naquela noite eu encontrei você.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Carolina

Nesta beleza real dos olhos,
Cobertura de chocolate,
Doce de leite no sorriso,
Assim desejaria um pedaço.
Não da alma, não da sua vida,
Mas do seu amor.

Não a vida toda,
Muito tempo para ser doce.
Preciso sentir, viver, amar e partir.

Com você tenho medo de ficar,
Meu doce amargar,
A Lua virar, alegria girar.
Só você me ilumina,
Minha amada, Carolina.

terça-feira, 19 de julho de 2011

E agora?

Medo antes do dedo. Naqueles dias secos, daquela masturbação mental que grita "proibido". A carne não fala mais alto que a cabeça, mas ferve na pele mais quente que a razão, e daí que o prazer é promíscuo? Afinal todo mundo só busca a felicidade, mesmo que às custas da fidelidade, o que é de se pensar, devemos ser fiéis a nossos companheiros ou ser fiéis a nós mesmos, nossos desejos e anseios por momentos de felicidade? Não sei. Não tenho nem vislumbre de resposta, mas em ambos os casos, eu prefiro ser feliz.

domingo, 17 de julho de 2011

Credo

Naquele sofá eu senti pela primeira vez. Aquela bendita coceira que pra sempre seria familiar. Aquela dor do autoflagelo que leva a ambiguidade do ser humano, do existir ao máximo, porque a dor me toma por completo? me dá um gozo de prazer nas maiores das noites de lamentações, quando o coração nem sangra, ela só entra numa constância tão absurdamente chata, monótona, real, que nem a ebriedade ajuda, o real pesa em um preto e branco. Essa coceira. Que é um coçar na sola do pés, torturante. Prazer, me chamo sofrer. Astor. Pastor. Amor. Dor.Sim, senhor. Por favor, não me venha com bobagens. Naquele sofá, no sugo da minha posição, no calor de assento, na frieza dos sentimentos descobri que coçar não é caminho. Nem sofrer na agonia, descobri que a coceira não existe em si. Se você não acreditar na coceira ela deixará de ser? Acho que no fundo o amor não é questão de veracidade, tão pouco de sentir, mas sim de acreditar. O amor é a coceira dual, tem-se, sofre, goza-se, mas acredita-se?