quinta-feira, 20 de agosto de 2009

No Azul d'Ella

(Porque as brigas surgem entre quem mais temos amor?)

- (Sic) Alô?.....

(O amor é tão ligado a insegurança)

- Alô? é você?

(Quando não ligado emocionalmente, as atitudes fluem tão fácil, agora fico aqui olhando para o infinito, pensando no melhor jeito de falar com ela)

- Oi, sou eu......(sic!)

(Se fosse uma a mais ou uma a menos, seria tudo mais fácil, mas eu gosto desta única)

- Errr...tudo bem?
- Tudo e com você?

(Para ela parece tão natural. Será que eu sou um a mais ou um a menos?)

- E aí? me conta como foi tudo?
- Olha, foi ótimo....(etc...)

(Eu preciso me tornar visível, mostrar não o quero, mas o que pretendo. Não quero virar estátistica)

- Que bom, lembrei de ti hoje....
- Jura? O que foi?
- Vi na minha vida, que se hoje falta algo...

(Eu não vou perder para meus próprios fantasmas, o construtor de minha felicidade só pode ser eu mesmo)

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Cubo Mágico

Assuma as consequências do que te faz feliz, ele dizia para si mesmo nas noites vazias em que ele teria de encarar seus próprios atos, onde a tristeza de alguns é parte construtora de uma felicidade maior, onde a verdade seca e dura faz-se o único meio de alcançar o almejado amor.


domingo, 2 de agosto de 2009

O Tempo

Na malha aveludada que se fazia céu, não havia mais espaço para pontuar estrelas. Já na imensidão azul celeste, não houve chance para nuvens.

Encontrava-me ali, sentando no mesmo rio, na mesma areia que tantos dias me abrigaram, com os mesmo pensamentos que me consumiram durante este período, deixando-me a certo ponto triste em outro em alegres, onde pode-se dizer que o rio, o céu, a falta dos amigos de copo e de cruz, o mistérios daqueles belos desconhecidos que também dividiam o rio comigo, fizeram minha cabeça pensar de maneira saudável, diga-se de passagem, um período saudável na minha vida, onde na verdade o único medo que esporadicamente vinha a mente eram as ditas arraias que nunca foram vistas, diferente das belezas mundiais que pude presenciar, onde as pessoas mais belas do mundo, tanto homens quanto mulheres, se reuniam ao redor de um ideal: a bondade e a força em acreditar que o mundo ainda tem jeito; diversas vezes na minha vida pensei que não adianta fazer nada pois ninguém faz, o que se mostrou demasiadamente errado por minha parte, pois existe ainda muitas pessoas boas no mundo que realmente se importam, que estão fazendo algo para sua melhoria, grandes seres humanos que abandonaram uma vida de luxo, vida confortável, para viajar o mundo e passar alguma mensagem.

Você tinha tanta chama que eu mal conseguia me aproximar. As duas margens se fechavam em uma solitária prazeirosa.

Nos anos que se sabem, desde que este grande encontro começou a acontecer, não se sabia de um dia de chuva neste abençoado lugar, entretanto sinto-me um felizardo por ter presenciado uma das maiores cenas de energia positiva explodindo em toda minha vida, quisera eu que minha memória deste dia nunca se perca durante os anos, mas enquanto isso eu lembro-me de cada detalhe e até posso sentir o arrepio que senti na hora, e só de contar novamente a história da grande abertura, onde todos estavam em transe, um transe não comum, onde a única coisa que distraiu os adeptos foram os primeiros pingos de chuva, o que na verdade fez todos sairem de seu estado e começassem a se olhar sem entender, escutava-se ao redor "mas nunca choveu aqui", "o que está acontecendo?", mas nenhum pergunta era respondida e os pingos continuavam a cair, o público decide então abstrair os pingos e voltar ao transe inicial, entretanto a cada momento mais pessoas entravam em transe, mais a energia crescia e mais a chuva aumentava, cadeiras voando, barracas quebrando, a estrutura da pista principal, onde todos que estavam em transe e mandando energia para os céus, desabava sobre o público, e a chuva sem dar trégua até o momento em que ela desabou de vez e o público explodiu em uníssono, a chuva e o transe se fizeram um ser novo e singular.

A luz que saiu da pedra branca iluminou Deus que tocava cítara com seus vários dedos e animou os ciganos que ali estavam para começar a dança que contagiava o público; coloridos, alegres, sorrisos fartos e olhos brilhantes assim são os ciganos que eu vi dançando juntos, segurando o mundo em suas mãos em um ato circense no momento de espiritualidade de todos, onde dez mãos seguravam o planeta sem o deixar cair sequer um segundo, até pessoas de fora entrando para ajudar a não deixar o mundo cair em perdição, acreditando que há esperança para tudo isto que está errado, e de fundo transcedental surgia a música, a luz, a divindande a tocar sua música, com os espiritos sagrados a dançar ao seu redor; cada acorde penetrava meus ouvidos fazendo-me pensar em tudo o que já passara ate ali é o porque de minha felicidade em poder ter tido uma visão de Deus, pois naquele dia, naqueles breves segundos de minha vida, eu tive uma visão divina e pude entrar em contato através da música com um Deus.

A incredulidade é um problema moderno, é possível mudar. O mundo pode ser diferente.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Poço

O desejo da boca é o beijo.
O desejo dos olhos, o pôr do Sol.
O desejo do nariz, as ruas de Outubro onde a maniva ferve.

O desejo dos braços, o abraço.
O desejo da tristeza, a alegria.
O desejo da alegria, a esperança.

O desejo do pescoço, o arrepio.
O desejo dos ouvidos, o sussurro.
O desejo dos pés, o descanço.

O desejo do cabelo, o cafuné
O desejo das unhas, arranhar.

O desejo de viver tudo.

O coração só quer se correspondido.
O amor só quer ser vivido.

domingo, 19 de julho de 2009

- Sem Data -

Lembro-me dela. E a cada memória viva em meus olhos não consigo separar o amor da tristeza. O simples e perfeito fato de viver é ser triste, onde ter saudades é bom, mas machuca demais meu peito que sofre por ela, por a querer agora, por deseja-la para sempre. O para sempre pode ser longe demais, mas o que seria dos amantes senão os sonhos malucos, as incoerências de um amor ainda sem pilares, baseado apenas naquela noite de música, dança e a conversa mais doce e mansa que já pude ter, onde a única luz da razão que banhava o veludo do céu era a Lua, a mais bela delas.

Não sei o que fazer quando dou-me conta e estou sem rumo em minha casa, andando nos cômodos que tanto conheço, porém completamente perdido, seguindo meu faro apurado o perfume conhecido, do momento quando a abraçava e sentia no seu pescoço e no cabelo que ficava a tocar minha face, o cheiro que agora não sei se existe ou é o que resta da minha blusa e minhas mãos que tanto passaram por dentre seus longos e belos cabelos, do seu pescoço esculpido em mármore, perfeito, onírico, das suas mãos, ah que belas mãos...feitas por algum artista renascentista, para combinar com sua boca, lábios de mel, sempre escondendo o sorriso infantil e sorrateiro que sempre foge dos meus olhos apaixonados, não sei se é loucura que me invade, entretanto sei que estou apaixonado, ó meu pai, não quero nem mais sair de minha casa enquanto ela não estiver a meu alcance de novo, porque não há sentido estar na rua senão for para estar com ela.

Sinto-me triste por não poder estar ao seu lado neste exato momento em que escrevo aqui neste meu velho caderno, é...a única coisa que me consola é que ela disse com um muxoxo, na hora em que anunciei minha partida, sua tristeza, mas que iriamos nos ver quando ela voltasse, o que durará em torno de dez dias para nosso próximo encontro, dez dias são uma breve eternidade para quem está na loucura amorosa, o que, se pensar com tato e controle das emoções, sinto-me até então um amante muito feliz, pois a tristeza que me assola faz-se apenas porque eu estou enamorado e tudo o que quero é estar com minha bela andarilha de noites a dentro; minha preocupação é porque não somos um casal, nos conhecemos agora, apesar de eu saber que ela estava lá toda minha vida, que ela ia aparecer onde eu estivesse, ela era para mim, só poderia aparecer onde eu estivesse, todavia o que me pertuba, é pensar que, será que ela acha o mesmo ou nestes dias que nos separam ela poderá encontrar um novo amor, pois ela pode ser para mim, contudo eu posso ser o errado para ela, meu medo é este tenho de confessar...é perdê-la.

Enquanto não chega o momento de nosso reencontro tento não ficar deprimido, apesar de sempre achar e continuar achando até o último dia da minha vida, que a tristeza é a grande companheira do homem durante a eternidade de nossa existência no mundo real ou imaginário, sem ela eu não estaria aqui desabafando através de letras e palavras, eu não teria porque caminhar uma estrada longa e sem mapa, sem bússola, mas afinal, é isto que faz o amor ser o que é, andar para a frente acreditando em nós dois mesmo sem ter provas para tal.

Dez dias ó meu pai, apenas dez dias...


Diários de Fernando Campos Diniz.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Luê Naya

Da lua minguante,
donde os sorrisos nascem.
Sorrisos belos,
com lábios de mel e dentes de luz.

O amor de nós dois
se faz tetrafásico
Durante nossas noites,
nossas vidas.

Irá sair como a nova.
Minguar com um sorriso.
Invadir como a cheia,
e crescer como eu e você.

Assim como as cordas do teu violino
Que em você são coração e alma.
Somos o que procuramos alcançar.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

A Princesa e o Sol

A princesa do reino das mangueiras,
bela, encantadora, sempre teve tudo.
Tinha tudo, mas não era esnobe,
entretanto todos aqueles que tem tudo a certo ponto se confundem
com o que podem, devem e merecem.

Não queria naquele dia que o Sol nascesse.
Não queria olhar para o Sol, não queria que o Sol a tocasse.

Brigava, chorava, reclamava ao Rei seu pai,
“o Sol é mal, só machuca, quando tocou-me
deixou-me vermelha e ardida, eu só queria que ele
me deixasse mais viva.”

O rei explicava que o Sol era bom,
dava vida, mas vida em excesso também machuca,
por isso as flores precisam de Sol, mas também
precisam de água, pois precisam se hidratar.

A princesa chorava, ardida reclamava, mas estava doida
para olhar seu jardim que não florescia há tempos.
Ora praga, ora chuva demais, ora neve. Não importava.
Seu jardim há tempos não florescia, e logo o jardim herdado de seu mãe.

Rainha cuidadosa, desde sua partida nunca mais uma sequer rosa aparecera.
Nem as lágrimas da pequena princesa fazia germinar flores no já velho jardim.

O Sol neste dia, escondido atrás das nuvens,
porque este sim amava a princesa, escutava
seu choro, suas lágrimas ao chão.
Ao ver que a princesa voltava pisando sobre suas lágrimas
caminhando sobre um calvário decide mostrar seu amor,e se põe ao dia mais ensolarado do ano.

O solstício de verão fez-se.

Ao acordar no outro dia, um dia nublado,
misteriosamente nublado, ela desce, toma seu café.
O rei toma sua mão e a leva sem falar nada para fora do castelo, ela triste, ainda com olhos de uma noite de lágrima o acompanha sem dizer nada.

Ao entrar no antigo jardim de sua mãe ela percebe o milagre, onde não havia nada, apenas sebe, surgiu um belo jardim de Girassóis.
Dos grande e bonitos como sua mãe amava.
Ela não compreendia, não havia nada, nada. Ela ri, chora de alegria, abraça o pai, corre de volta para o castelo e resgata um retrato antigo de sua mãe e o coloca junto as flores.

O Sol neste dia não saiu.
Apenas ficou a admirar o sorriso da princesa, que era encantador.
Por mais que ela não pense no Sol como bom feitor, ele faz-se feliz em saber que fez o dia da princesa melhor.

O Sol neste dia não saiu.
Mas olhou por trás das nuvens a beleza dos Girassóis da princesa.