domingo, 15 de julho de 2012

Infantil, Ardil.


No frio. Tenso. Teso. Egoísta.

O diamante enfim se partiu.
As nuvens enfim se acinzentaram.

Sem desculpas. Sem mais erros.
Sem perdão no coração.

A soma das mágoas desaguam em um lavar mãos.
Você, enfim, deixou de ser o que era.

Abrir mão. Impossível amar.
Cansei, a última gota foi derramada.

E me arrependendo.
Das lágrimas, das desculpas, dos perdidos.

Incapaz de amar. Só ama a si mesmo.
Agora, eu não pretendo mais intervir nessa relação unilateral.

Sem palavras. Se quiser conquiste.
Porque começou a desaguar a indiferença.

O diamante não brilha mais sob meus olhos.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Que Engano

Hoje eu me engasguei com ódio,
E ceguei-me com sangue.

Naquele dia perdi a vontade, a alegria, a necessidade.

Fazer pra que?

Dar e receber, ceder, dever,
Mentiras verdadeiras.

Mentiras no calor.
Palavras fracas,
Mentiras para acalentar o coração,
Mas sem amor.

Hoje eu perdi um pedaço,
Irreversivelmente mutilado sigo.

Mas as coisas mudaram,
Mutilado, fraco, sem acreditar....

Então,
As coisas mudaram.

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Nietzsche Daily Show

Há muito que tomei para mim a estética nietzschiana sobre o que considero arte - certo de que o que considero ou deixo de considerar, não atestam algum valor.

Nietzsche define a arte através daquilo que ele chama de “impulsos artísticos da natureza” definidos como duas faculdades fundamentais do homem: a imaginação figurativa, ligada às aparências, ao plástico e aquilo que exprime toda a exaltação emocional, os absurdos de existir e seus excessos: o apolíneo e o dionisíaco. Tais conceitos nasceram do estudo da tragédia grega. O “Apolíneo e dionisíaco são impulsos artísticos que emergem do seio na natureza independente da intermediação do artista”.

EKSTASIS, é algo que a filosofia explica como ser ou estar fora de si mesmo, e o ENTHOUSIASMOS seria uma inspiração e/ou possessão divina, um entusiasta na filosofia é aquele que é possuído por um espírito divino, no caso, Apolo para as formas, as artes plásticas, ao belo e Dioníso para os extremos, a destruição do corpo, exaltação dos prazeres e das dores.

E foi sobre os prazeres e as dores que achei a inspiração para este texto que vos escrevo. Sempre tentei ser um escritor- amador- com uma certa assiduidade, mas há uns meses achei de novo um velho prazer que havia muito me deixado: desenhar. Cores, trações, tintas, imaginação, paciência, apaixonei-me novamente por algo que havia largado na infância e agora me dava prazer como um novo amor, inédito que tento conhecer um pouco a cada dia.

Larguei o blog, não por raiva, não por desleixo, pelo ao contrário, me dói demais largá-lo, mas as tintas, as cores me fascinaram. Então descobri como fui duro com a arte escrita, que tanto me suportou, que tanto falou por mim, os textos sempre me abrigaram em sua morada, porém, assim continuei enchendo folhas de desenho e escrevendo cada vez menos (só escrevo no blog, não tenho caderno de anotações). Devorei papel com a boca cheia de cores, feliz, radiante.

Mas ao acordar hoje com um certo incômodo no peito, não consegui pensar em desenhos, em formas, em coisas racionais, belas e físicas, quando o peito estremece, quem fala é o coração e este, não sabe desenhar, não tem a paciência de esculpir, ele é enérgico, não demora a dar os sintomas. Quando o coração fala as palavras precisam ser gritadas, as formas quebradas, é preciso desabafar.

Hoje quando acordei percebi que ao desenhar expresso minha criatividade, o recorte de imagens que o meu consciente guarda, reflexos na minha inspiração racional, cada traço é consciente e objetivo. Quando sento a escrever, as palavras vem como numa rajada, não as escolho pessoalmente, alguém as joga na minha cabeça e de repente surgem na minha frente já sendo escritas.

Quando as emoções e os sentimento tomam conta do meu corpo não consigo expressar com traços e cores, é necessário uma força maior, uma exaltação além do corpo e razão, Apolo não se mostra tão eficiente para mim quando o desabafo emocional é necessário, é Dionísio que me escuta, que grita por mim, que clama pela transformação do ser em arte. 

Fui acordado por um espírito dionisíaco. Senti saudades das palavras.

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Um Fato

Me sinto tão feliz que me faltam as palavras.

Me sinto tão alegre que deixei a poesia pra viver.

Estou amando tanto que deixei a poesia do papel e das palavras pra viver a inspiração do amor na pele e coração.

O amor é a maior experiência que um homem pode experimetar na vida, a mais perigosa e a mais maravilhosa.

E eu estou dentro do maravilhoso mundo do amor.

Estou tão feliz que não faço mais poesias e sim uma confissão.

Eu amo!

terça-feira, 24 de abril de 2012

Manhã 24. Abr. 2012

Não deixei de sentir as borboletas
Tão pouco expulsei os calafrios da espinha,
O nervosismo da voz,
A arritmia do peito.

Mas sinto um enorme pesar,
Quando as borboletas voam e não brotam.
Ao ver minha espinha se curvar morna na espera,
Quando o coração volta à constante.

Naquela manhã lembrei da antiga conversa sobre ser um quase, não se trata de tristeza se bem recordo, mas tão pouco fala-se sobre picos de alegria. Pelo contrário, quase picos, a alegria é visível, perceptível, sensorial, é um real estado e em outra conversa na mesma manhã, descobri que quem vive a minha vida sou eu, assim como não posso viver por outra pessoa a vida dela. Eu amo. E quem ama, ama em conjunto, faz dois ser um. Porque se fosse unilateral não seria amar e sim gostar. E desse amor eu não duvido. 


segunda-feira, 16 de abril de 2012

O Que Eu Quero

Eu andei. 

Quando parei, minhas pernas formigaram.
O ar acabou, a pressão caiu, a tontura me abateu.

Ainda caminhei.

Apesar de tudo,
Dos boleros antigos,
Ainda farei sonhos,
Ainda desatarei a viver.

Quando dei por mim, já em prantos,
Percebi que amava.

O ar faltava,
O coração pulsava com força,
Agora não estava mais sozinho.

Caminhava de mãos dadas,
Respirava em comunhão,
Conversava em sintonia,
Em mútuo prazer.

Com você eu redescobri a paz.
E o que sabia de amor joguei fora.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

À Beira do Rio Thamisa

Olá.
Boa tarde.
Seja Bem vindo.

Boa Tarde.
Vim aqui me afogar...Mas não...não se preocupe.
Não vim de escafandro, tão pouco desejo salva-vidas.
Vim me afogar por inteiro.

Siga-me à beira do rio.
À margem direita, braços, afluentes, desejos e necessidades.
À margem esquerda, o canal principal, água turbulentas aos revezes com marasmos cálidos.
Não deseje afogar-se de contra vontade...

Entro aqui de cabeça e alma.
Vim aqui me afogar.
Nadarei pela sua margem direita, agarrarei em seu solo, irei contra a corrente se necessário, mas me afogarei em suas necessidades e desejos.
Cairei ao mais fundo de sua margem esquerda, como uma âncora em suas profundezas irei morar para sempre.

Bom, se assim é seu desejo.

É o que desejo. 
Respirar a última vez,
Permitir que pela última vez meus pulmões vivam sem as águas deste rio.