terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Crente

Não compreendi a distância como dor.

Me amarrei às raízes das declarações sinceras,
Após o coito apaixonado.

Na nova separação,
A distância me deixou com medo.

Me vi sozinho com meus fantasmas,
Assombrado pela insegurança.

A distância não me fez desistir,
Ela me fez voltar a acreditar no amor.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Ausência

Já não tenho medo das saudades.

Já até assimilei a distância, vislumbrando futuros encontros.

Mas o que os olhos não vêem, o coração não sente, mas a mente dilacera.

E nos dias em que não te toco, não sinto paz em meu coração.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Lamento

A poesia morre se não sofrer.

É necessário fingir uma dor, uma saudade,
para este amor se manifestar em arte.

A alegria não tem vocação para belas artes, enquanto a tristeza promove os mais belos saraus da vida.

Mesmo na página em branco te amo ante tanta letra.

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Banhos e Banquetes

Amarraram os pés dos meus pensamentos no tronco daquela misteriosa árvore. 

Quando acordei com os pés presos, eles já não tinham amarras, e meus pensamentos já haviam subido ao galho mais alto.

Minhas mãos já conheciam o caminho. Dois oceanos em seu rosto, duas montanhas em seu colo, constelações e flores no abdômen até o desaguar no seu ventre.

Decidi então mapear com minhas mãos e agora de olhos fechados sinto seu cheiro e perfeitamente descrevo seu corpo.

Decidi que iria me entorpecer de você. Enebriar até os poros entupirem. Até sentir minhas mãos grossas e meus pés dormentes.

Me afogar em você.

domingo, 4 de dezembro de 2011

Simplesmente Amor

Eu achei o amor que estava perdido em mim. O amor que não tem subclassificação, foi amor, de verão, de natal, de sonhos. Cada memória, lembrança e cheiro que você deixou, serão em mim marcas da nova pessoa que eu me tornei.

Pela primeira vez em dias pensei em mim. Havia esquecido de mim, do mundo lá fora. Havia perdido o contato com o chão. Deixei de ser individual, rompi com as barreiras do meu eu. Me uni cegamente ao amor, como só os amores que valem a pena conseguem fazer. Deixei de me ver, perdi meu nome e minha carne, e me transformei, naqueles dias, em algo maior que eu.

Quando estive com você tudo o que existia era a necessidade de mais. Dias, beijos, palavras, abraços. Quando estive com você, me senti pleno. Você apaziguou a minha vontade, cessou a dor de existir. Com você escrevi a receita mais simples de amor.

Sonho e como. Sonhos. Queijo. Pão. Mortadela. Morango. Leite. Alpino. Ovomaltine. Bis. Franguinho. Cebola. Bis. Suco. Uva. Coca. Pepsi. Guarana. Pão na chapa. Nescau. Leite fermetado. Supermercado. Padaria. Praia. Posto 9. Copacabana. Colombo. Ciúmes. Beijinhos. Nariz. PUC. Jardim Botânico. Cural. Pizza. Salagados. Lasanha. Bis. Universo. UP. Parallelo. Coberta. Cantinho. Banheiro. Sala. Cozinha. Morro. Armas. Fumo. Seda. Piercing. Desenhos. Corpo. Sabe o que eu quero? Suor. Beijos. Amor. Respeito. Doidices. Conversa. Risadas. Bom Dia. Novela. Sobremesa. Haagen Dazs. Milk Shake. Antiguidade. Bis. Copacabana. Leopoldo Miguez. 40. 307. Rio de Janeiro. Belém. Campinas. Mundo. Vício. Namoro. Um mês. Verdade. Saudade. Filmes. Sofá. Número Um. Sem Picles. Meu. Seu. Nosso.

E agora tudo o que sei é que é na Bahia de todos os santos, que eu pretendo me perder em você novamente.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Cantinho

Na primeira noite,
Apenas me deitei.
Mas já na primeira manhã,
Fui e te beijei.

Os amantes cresceram.
E nos dias que seguiram,
Algo vinha de mim,
Para dentro de você.

Sob uma camada xadrez,
Entre sonhos e realidades,
Nos despíamos da pouca sensatez.

E quando em nossos planos,
O mundo gritou verdades,
A saída foi nosso universo paralelo.

domingo, 13 de novembro de 2011

Antes um Beijo (à um Abraço)

Naquele amanhecer, quando nossos dedos se entrelaçaram pela primeira vez, entre grãos de areia e um constante desviar de olhos, eu sequer cogitei te fazer minha mulher, sequer pensei que você ficaria comigo, e mesmo confuso, não esperei nem um beijo. E ainda arrisco dizer que não espero.

Ao te abraçar como uma concha, sentado com você sentada entre pernas, enquanto eu sentia como se meus braços te envolvessem em proteção, dei pra pra pensar que não queria te ter em favor da carne, minha necessidade não era de orgia.

O tempo levou anos, alguns amores e deixou insônia até a cama se tornar uma imensidão, onde a individualidade se misturou aos panos e lençóis que nestes anos abrigaram o meu coração.

Naquela manhã, naquele Sol de um novo dia, eu segurei você em meus braços e percebi que não queria te possuir, queria apenas dividir os momentos com você, fiquei pensando: seria você - pois há méritos em ti - ou seria um efeito retardado da solidão. Eu passei os dias seguintes apenas querendo segurar sua mãos, te laçar nos meus braços, te olhar dormir, ter sua cabeça no meu peito, seu perfume no meu travesseiro, enviar beijos pelo ar e acabar com os olhares furtivos. Desejaria te olhar e compreender antes do primeiro piscar de olhos.

Sentir a minha cama toda ocupada, sentir os dedos dados, a respiração no pescoço. Sentir que o coração de novo pulsa acompanhado. Não sei se você é objeto deste amor, mas foi você que me mostrou o que eu tanto senti falta. Mãos dadas, abraços, um noite de sono em conjunto, acima de tudo dividir os momentos com conversas bobas com risadas sinceras.

Com você eu lembrei que o amor não tem que ser complicado.