quinta-feira, 29 de maio de 2014

Capítulo 1

Excerto do primeiro capítulo do livro "Naquela Noite Caminhei Entre Tubos e Copos".

Hoje acordei com aquela rinite que sufoca as manhãs frias de Curitiba, levantei, respirei e decidi encarar a vida que inclui meu apartamento sujo e o primeiro dia desempregado nesta cidade fria. Consegui organizar meu dia simplesmente tomando banho, escolhendo a roupa adequada, tentando falar com uma antiga paixão, mas nada pareceu muito certo, então decidi sair, para a rua, para ver a vida acontecer, para sentir os dias correndo em minhas veias e sentir a realidade consumir minha energia enquanto tento viver esplendorosamente da maneira mais hedonista possível. Após tomar um banho quente de talvez uns 45 minutos, onde minha pele já queimava e a vivacidade já esvanecia do meu corpo, eu enfim decidi sair à rua, resolver problemas, o que inclui lidar com a falta de dinheiro e ao mesmo tempo tentar ser saudável e feliz sem tantos dilemas durante os dias ordinários de um cidadão comum. Sentia vontade de conversar com Deus, mas todas as vezes que sinto isso, mesmo sem esquecer da promessa que fiz, sou tentado pelo lado mais forte da carne ou do álcool ou da vida, não sei, só sei que quando tento conversar com Deus, me sinto totalmente atraído pelo lado satânico da vida ou como gosto de pensar pelo lado mais hedonista ou imediatista da vida, sem pensar no futuro incerto ou trabalhoso, buscando apenas  o prazer imediato. Enquanto me perdi na busca de Deus, resolvia meu dia da forma mais racional e econômica à meu alcance. Tentava reconhecer da maneira mais clara e possível a vida como uma forma de escolhas e pretensões que às vezes dão certo e outras nem tanto, e enquanto isso voltava ao meu trabalho, ao meu antigo trabalho, onde no fone, o som de Janis Joplin mais uma vez fazia dentro de mim nascer sentimentos que eu tentava apagar desde a noite anterior, luxúria, traição, sexo, prazer. Enquanto buscava uma fuga hedonista da realidade, comprava moveis para que minha família se aconchegasse enquanto eu só pensava em não existir, ou apenas existir como um todo, como se ninguém me conhecesse, mas todos me sentissem, não existiria minha culpa ou meu ser, eu apenas seria um energia, que alguns seguiriam ou não, afinal eu não sou a verdade, apenas um caminho.

terça-feira, 27 de maio de 2014

Cápsolar

Engoli aquelas cápsulas de vida.

Quando chegaram ao estômago romperam suas cascas,
e queriam sair pela boca.

As borboletas saíram do estômago para a vida.

quinta-feira, 13 de março de 2014

Vez e Outra

O que acontece quando você deixa
De pensar em nós pra pensar a sós?
Eu espero que um dia você ainda veja
Antes que não reste nem a minha voz.

Os buracos no telhado são minhas estrelas,
A poeira no meu quarto são minhas memórias.
Esta noite eu bebi os canais de Veneza
E espero a amnésia sem nenhuma glória.

Eu parti, me dividi em dois, me conta como foi...
Conta os meus pedaços por ai, mas não pise nos meus cacos,
Diz pra todo mundo que o ‘meu bem’ vai ficar bem.

Que saudades que eu sinto do primeiro ‘oi’...
A cada passo que se dá se afrouxam os laços,

Quando eu percebi já estava aquém.

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Se conseguir, prometo encher a cara de whisky escocês.

Porquê sofrer para ser feliz. Não compreendo. Não quero beber desta bebida amarga. E apesar de não ter culpa, os bons momentos, (acho que sendo culpa desta sociedade ocidental cristã), são sempre permeados pelo medo de que, tudo que é muito bom, tem de acabar. Nada mais de eternizar momentos. Até as fotos, que eram o registro eterno dos momentos, agora ficaram tão pequenas que ficam presos em aparelhos celular, e o armário dos álbuns de fotografia da família, agora é um depósito de papel velho.

Hoje em dia a medicina evoluiu tanto que podemos viver até mais de 80 anos tranquilamente. Um coroa de 40, agora é um pai "inteiraço". Mas não sinto que estamos realmente vivendo mais. Apenas nossas carcaças duram mais. Tudo tão rápido. Envelhecemos lentamente num mundo de tanta velocidade que não dá para ver nada. Chegamos no final sendo metades de bons momentos, sem uma história completa.

Não me conformo como opiniões formadas em 140 caracteres. Não me conformo com quem não possui livros. Se entro na casa de alguém e não vejo um livro sequer, nem mesmo uma auto ajuda, isso pra mim demonstra falha de caráter. Não se pode confiar em quem não lê. ( E em quem nunca tomou um bom trago).

Quero uma história. Momentos completos. Quero ver as coisas devagar. Talvez o problema seja das pessoas que não gostam de arte. Dever ser isso. Pois quem gosta de arte, vai à museus, e um museu é um lugar para você dedicar um dia, as vezes meses ou uma vida. É um prazer lento, cândido, passos curtos e respiração profunda. Cada um obra de arte um momento particular, um universo intenso e único, o corpo se abre e recebe intensamente aquela mensagem. Tempo suficiente para a arte penetrar seu corpo e marcá-lo eternamente. Quero viver a vida assim. Como um grande museu. Cada dia um obra de arte diferente, cada continente um museu.

Quero conquistar meus sonhos, mas para conseguir isso não quero parar de comer carne, transar, beber, largar o café,  chocolate. Queria conquistar meus sonhos e prometer tomar um bom whisky escocês.

domingo, 9 de junho de 2013

Oceanos Não Pacíficos

Seus olhos são como dois enormes oceanos. Sua pele meu continente.

Sinto que cada falha minha, cada pedaço de alma, espírito, ou qualquer uma dessas coisas que compõem nosso ser, são reparadas quando você está comigo.

Estar com você, compõe e regenera cada coisa em mim que eu não gosto. Você me faz sentir uma pessa melhor.

Seu corpo protege o meu, faz do seu corpo meu habitat. Suas mão é fogo que aquece. 
Desejo seus sorrisos, me derreto em seus abraços.

Você me completa. Se somos como diamantes que vão sendo lapidados, eu cheguei a perfeição ao seu lado. Você me faz um bem tão grande que eu só penso em como te fazer feliz de volta. Te dou o mundo, a lua, todas as estrelas. Te dou todo o meu amor, incondicionalmente.

quarta-feira, 20 de março de 2013

Carta à (minha) Juventude

À Juventude.

Querida,
sinto-me cada vez mais preso em seus paradoxos, paradigmas, dúvidas, pensamentos. Ao mesmo que sinto meu peito exalar criatividade, vontade, energia, penso como, e nem sei ao certo, por que pensar tanto em tão tenra idade.

Viver tudo porque sou jovem e ainda possuo tanto tempo à viver; me esforçar como nunca pois sou jovem e a força e o siso ainda me fazem infante guerreiro.

Penso que as resposta não cabem ao jovem, ao coração prematuro, a pele sem ranhuras, ao corpo ainda sem cansaço. O coração pulsante quer saber porque bate, a pele limpa quer se sujar o máximo possível, todo dia se possível, o corpo que não cansa quer os limites, quer chegar ao incansável.

Não falo. Não envelheço. 

As dificuldades são inerentes aos verdadeiros espíritos juvenis. Como apreciar uma futura velhice, sem ter caminhado as tortuosas e metamórficas vias da dúvida de um ser jovem. Como um jovem, que aqui vos fala, sinto que algo ainda espetacular há de acontecer - a esperança ignóbil do prematuro? - ou a certeza de quem tudo vai dar certo - mesmo que não saibamos o que estamos fazendo.

Querida juventude, obrigado por agraciar meu corpo e minha mente com tantas dúvidas. Infelizmente há aqueles que nem sequer desfrutam tais dilemas, mas aqueles que os tentam resolver por envelhecer, não a idade pois isto seria impossível, mas a alma; àquelas que se cansam da dúvida e calam o peito envelhecendo-o, tornando-se rédeas de si mesmo.

Eu enfim agradeço, primeiro por viver uma juventude, segundo por me fazer não para de questionar. Viver, sem saber porque, mas saber que viver é a melhor resposta. Acumular, para na velhice, quando as dúvidas findarem, descansar um mar de sabedoria.

Não deixe nossos peitos se calarem na velhice.
Viva a alegria de amanhã ser ainda muito longe. 
Do entardecer ser o horizonte distante.

Não deixe que a vida faça por nós, e façamos nós, a nossa vida.
Obrigado,
um jovem.

domingo, 16 de dezembro de 2012

Pensante

Exatamente entre o medo e a coragem.
Uma verdade, que mente.
Um broxa com tesão. (razão)

Entre a libertinagem e a caretice.
Entre a água e a vodka.
O papel e a pedra.

(H)Á tesoura?

Tão pequeno e ínfimo,
tão fugaz e vulgar,
um ser tão medíocre quanto minusculo neste universo em expansão, carregando perguntas demais, dúvidas demais e quase nenhuma resposta.

Pensar.

I
 M
    A
        G
            I
                N
                    A
                        R

Sem dúvida o maior fardo da existência.