segunda-feira, 15 de agosto de 2011

E Pra Quê?

No auge de nossa felicidade nos gostávamos de ovos mexidos, um pouco do pimenta, ver novela, roxo, escutar rock e beber cerveja. Ai um dia o meu céu ficou azul e o dela verde, eu queria MPB e ela pop, ela escutava singles, eu só álbuns, aprendi a beber uísque e ela só queria prosecco.

Lembro que dormir de conchinha era sonho, e na realidade era calorenta e cheia de cabelos na boca, os anjos tinha sexos, as cercas não eram mais brancas, os filhos já não eram nem sonhos distantes, a coca era zero, o big mac vinha sem picles, os botequins eram imundos, os amigos uns pervertidos

O amigo vira colega, o companheiro torce para ser estranho.

E no final o amor vira educação.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Resonar

Te chamaria de graúna, pelos olhos e cabelos negros, te puxaria, nos abraços, nos calos. Te pegaria assim, miúda, entre minhas mãos, tiraria o anel, desmancharia sua trança, beijaria teus olhos.

Deixaria sua toalha molhada na minha cama, esqueceria do controle remoto, te deixaria escolher nossa canção. Acreditaria, fiquei calado, beijarei.

Aceite-me nos sonhos que a realidade já me cansou.

sábado, 6 de agosto de 2011

Repeteco

Naquela noite quando entrei na sala
Eu sabia que dali iria encontrar você,
Dançando, rodando aquela mesma saia,
Que sempre me fez saber o porque.

Nos sonos sem sonhos, nos jantares fatigados eu encontrei você, em outro rosto, em outro nome, cabelo, olhos, boca, jeito, mas de alguma maneira naquela noite eu encontrei você.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Carolina

Nesta beleza real dos olhos,
Cobertura de chocolate,
Doce de leite no sorriso,
Assim desejaria um pedaço.
Não da alma, não da sua vida,
Mas do seu amor.

Não a vida toda,
Muito tempo para ser doce.
Preciso sentir, viver, amar e partir.

Com você tenho medo de ficar,
Meu doce amargar,
A Lua virar, alegria girar.
Só você me ilumina,
Minha amada, Carolina.

terça-feira, 19 de julho de 2011

E agora?

Medo antes do dedo. Naqueles dias secos, daquela masturbação mental que grita "proibido". A carne não fala mais alto que a cabeça, mas ferve na pele mais quente que a razão, e daí que o prazer é promíscuo? Afinal todo mundo só busca a felicidade, mesmo que às custas da fidelidade, o que é de se pensar, devemos ser fiéis a nossos companheiros ou ser fiéis a nós mesmos, nossos desejos e anseios por momentos de felicidade? Não sei. Não tenho nem vislumbre de resposta, mas em ambos os casos, eu prefiro ser feliz.

domingo, 17 de julho de 2011

Credo

Naquele sofá eu senti pela primeira vez. Aquela bendita coceira que pra sempre seria familiar. Aquela dor do autoflagelo que leva a ambiguidade do ser humano, do existir ao máximo, porque a dor me toma por completo? me dá um gozo de prazer nas maiores das noites de lamentações, quando o coração nem sangra, ela só entra numa constância tão absurdamente chata, monótona, real, que nem a ebriedade ajuda, o real pesa em um preto e branco. Essa coceira. Que é um coçar na sola do pés, torturante. Prazer, me chamo sofrer. Astor. Pastor. Amor. Dor.Sim, senhor. Por favor, não me venha com bobagens. Naquele sofá, no sugo da minha posição, no calor de assento, na frieza dos sentimentos descobri que coçar não é caminho. Nem sofrer na agonia, descobri que a coceira não existe em si. Se você não acreditar na coceira ela deixará de ser? Acho que no fundo o amor não é questão de veracidade, tão pouco de sentir, mas sim de acreditar. O amor é a coceira dual, tem-se, sofre, goza-se, mas acredita-se? 

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Sylvia Pt.1

Naquela manhã ela acordou mais cedo pois era a primeira segunda feira do mês, e isso quer dizer que NAQUELA manhã os seus dois principais distribuidores de filmes iriam passar em instantes na 420filmes, o que fez Sylvia ignorar a ressaca que o domingo ainda lhe rendia, encarando a manhã com uma belo copo de coca-cola com muito gelo. A 420filmes era a sua locadora, seu ganha pão, começou como um brincadeira, com uma paixão por filmes com enredos beatnicks, juventudes transviadas e temáticas relativas. Seu desejo era apenas divulgar o seu gosto, que ela achava sem modéstia alguma, muito bom, e achava que o mundo ou pelo menos o Rio de Janeiro deveria também desfrutar destes excelentes filmes. Uma pequena sala comercial no térreo de um edifício no bairro de Copacabana abrigava a pequena locadora, Sylvia morava a algumas quadras dali, o que ajudava a acordar "mais cedo". A sala retangular tinha em suas paredes estantes que rodeavam todas as paredes, exceto a do fundo, com todas as suas prateleiras entupidas de com diversos filmes, ao fundo ficava o balcão onde Sylvia atendia seus cliente, atrás de balcão uma porta que imagina-se ser um banheiro ou estoque, mas na verdade nunca ninguém entrou ali, a não ser a dona do estabelecimento. Pode-se dizer que o acervo da 420filmes era diferenciado pois possuía cerca de 50% de títulos em VHS, o que fazia da 420filmes um lugar muito procurado por pessoas que desejam filmes raros, cults, excêntricos, e devido a esta demanda de filmes exóticos, a 420 ficou conhecida por ter um público um tanto, como dito, diferenciado, o que no futuro viria gerar para Sylvia e sua locadora, certa fama pela qualidade dos serviços prestados, mas isso mais adiante será melhor abordado. Voltemos àquela manhã de segunda feira.

Sylvia chegou na 420filmes antes do combinado com os distribuidores, mas logo ficou sabendo que era desnecessário, pois em 15 minutos dentro da locadora, o telefone tocou informando que os dois iriam se atrasar, o que apesar da raiva por ter perdido alguns minutos de sono, ela iria aproveitar para dar uma geral na locadora e na sua cara, que ainda tinha marcas de uma noite mal dormida, e Sylvia não podia abusar, porque apesar de ser grande entendedora de cinema cult e B, ser inteligente, discutia sobre politica, sexo dos anjos e até canto das baleias, existia uma lacuna em seus atributo físicos, Sylvia era a mulher mais feia do mundo, não era uma feiura normal, não existia deformação, segundo a definição de Jorge, que apesar de ser sinceramente, e ela sabia disso, seu melhor amigo, ele também era o maior algoz de sua auto estima, Jorge dizia em momentos descontraídos que o arquiteto que fez a forma de Sylvia não teve aulas de proporção, perspectiva e ainda arrisca dizer que era míope. Claro que Sylvia não levava Jorge a sério, ou pelo menos já não demonstrava resistência, pois sabia que ser a mulher mais feia do mundo, a ajudaria a alcançar o sucesso frente a sua locadora.